» 
alemão búlgaro chinês croata dinamarquês eslovaco esloveno espanhol estoniano farsi finlandês francês grego hebraico hindi holandês húngaro indonésio inglês islandês italiano japonês korean letão língua árabe lituano malgaxe norueguês polonês português romeno russo sérvio sueco tailandês tcheco turco vietnamês
alemão búlgaro chinês croata dinamarquês eslovaco esloveno espanhol estoniano farsi finlandês francês grego hebraico hindi holandês húngaro indonésio inglês islandês italiano japonês korean letão língua árabe lituano malgaxe norueguês polonês português romeno russo sérvio sueco tailandês tcheco turco vietnamês

definição - dialeto florianopolitano

definição - Wikipedia

   Publicidade ▼

Wikipedia

Dialeto florianopolitano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Esta página ou secção foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa. Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo. Considere utilizar {{revisão-sobre}} para associar este artigo com um WikiProjeto.
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência
Editor, considere adicionar Mês e Ano na marcação. Isso pode ser feito automaticamente, substituindo essa predefinição por {{subst:s-fontes}}.

Ajude a melhorar este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto ou em notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenews, books, scholar, Scirus
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo.
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.
Editor: considere colocar o mês e o ano da marcação. Isso pode ser feito automaticamente, substituindo esta predefinição por {{subst:rec}}

O dialeto florianopolitano, popularmente conhecido como "manezinho da ilha" ou mesmo "manezês", é a forma da língua portuguesa usada pelo nativo de Florianópolis, capital de Santa Catarina, Brasil.

O dialeto florianopolitano também é ouvido nos municípios vizinhos à capital, embora com algumas particularidades. Este falar é fruto da união do português dos açorianos e, em menor número, madeirenses que chegaram nos meados do Século XVIII com o português já meio "indigenizado" dos vicentistas e santistas, paulistas que já habitavam a Ilha de Santa Catarina, onde se situa a capital.

Indígenas e africanos possivelmente contribuíram para a sua formação. Visto que Florianópolis (antiga Nossa Senhora do Desterro) era uma cidade portuária algumas expressões de outras regiões do país provavelmente foram adotadas com o tempo também. O manezês não é um falar uniforme e possui variações de acordo com a comunidade e a geração do falante. As principais características desse falar são:

  • Rapidez ao pronunciar as palavras, tornando difícil a compreensão pelos "não-manezinhos", ou mesmo pelos nativos mais "urbanizados";
  • Uso freqüente do diminutivo: "Ô vô ali ligerinho falá com ele bem rapidinho" = "Eu vou logo ali falar com ele rapidamente.";
  • Em uma resposta (ou numa listagem) quando se usa apenas uma palavra a sílaba tônica desta é bem alongada e leva um tom descendente-ascendente (como o 3º tom do mandarim(ˇ)). Ex.: - Tinha muita gente na festa? - Tinha! [‘tĩ:3ĩ̯ i̯ɐ].
  • Numa seqüência somente o primeiro elemento (adjetivo, artigo e pronomes (demonstrativo, indefinido e possessivo)) é pluralizado: grandes problema, os home, certas coisa. Após um número também não é utilizado o plural: três casa, dôs velho companhêro meu;
  • Pronúncia do "s" e do "z" como [ʃ](palato-alveolar como o "x" em xarope) antes de consoantes surdas ou em final de palavra (muitas vezes omitido, nesse caso). "As festas" seria pronunciado [ɐʃ'fɛʃtɐʃ] ou [ɐʃ'fɛʃtɐ]. O "s" e o "z" antes de consoantes sonoras são pronunciados [ʒ] (palato-alveolar como o "j" em janela), desse modo "mesma" seria pronunciado ['meʒmɐ] (no falar paulista: ['mezmɐ]). Como acontece em outras partes do país antes de vogais (e de h mais vogal) o "s" e o "z" soam como o "z" em zero: mais alunos [mai̯za’lunuʃ], dez alunos [dεza’lunuʃ]. Há quem ainda labialize o [ʃ] (>[ʃw]) e o [ʒ] (>[ʒw]). Atualmente percebe-se que entre os mais jovens a pronúncia [ʃ/ʒ] divide espaço com a [s/z] devido a influência da mídia e dos novos moradores. A pronúncia [s/z] é considerada mais refinada por alguns;
  • O "s" e o "z" finais das palavras oxítonas freqüentemente soam (ou pelo menos soavam) "je": trêje (três); mêje (mês); trage (traz); fage (faz) (para o "z" na mesma situação, por questões etimológicas (que ainda merecem ser debatidas), seria melhor usar "ge");
  • O "d" e o "t" não são africadas como no sotaque padrão do Sudeste, são alveolares (ou alveolares levemente palatizados. Essa pronúncia está ficando mais comum). Dia é dito [diɐ] (ou [djiɐ]) e não "djia" [dʒiɐ] e tia não é pronunciado "tchia" [tʃiɐ] e sim [tiɐ] (ou [tjiɐ]). Em contrapartida alguns pronunciam "oitcho" e "direitcho" em vez de oito e de direito.
  • O "r" no início, depois de "n" ou "l" e no final de sílaba bem como os "rr" são pronunciados [h]/[x] ou [R](uvular), sendo "perto" pronunciado ['pɛh/x/Rtu]. Os mais idosos ainda pronunciam o "r" como em português lusitano, uma vibrante alveolar [r]. No fim das palavras (assim como o "l" em "nível" ['nivi])ele freqüentemente não é pronunciado: tomá (tomar). Caso a palavra seguinte comece com uma vogal o "r" final é pronunciado como alveolar: cantar o hino [kɐ~tɐ´rwinu] (é importante ressaltar que pronunciar o "r" nesse caso é um tanto artificial).
  • O "d" dos gerúndios (-ando, -endo e -indo) não é pronunciado: "ela tá comeno" em vez de "ela está comendo". Essa pronúncia já não é mais comum;
  • Algumas palavras recebem fonemas epentéticos: isgreja (igreja)(em catalão igreja é "església"); (a)despôs (em espanhol depois = "después") (depois). Como em outras partes do país acrescenta-se um [i] nos grupos bc, bd, bf, bj, bn, bp, bs, bv, cc/cç, cm, cn, ct, cz, dj, dm, dn, ds, dv, fn, ft, gd, gm, gn, mn, pn, pt, tm e tn: pineu (pneu), adivogado (advogado) etc.
  • Algumas palavras perdem fonemas: aspro (áspero) (síncope); pêsco (pêssego) (síncope); urça (úlcera) (apócope); figo (fígado) (apócope);
  • Palavras oxítonas terminadas em "l" e "r" recebem (ou recebiam) um "e" (soando [i]) ao final (epítese): capitale (capital); dotore (doutor) (a pronúncia mais comum atualmente é "dotô");
  • Os ditongos [ai], [ei], [oi], [õĩ](+s) e [ow] do português padrão se transformam em [a], [e], [o], [õ] e [o] em manezês: caxa ['kaʃɐ] (caixa); cadêra [ka'derɐ] (cadeira); pôs [poʃ] (pois); cançons [kɐ̃'sõʃ] (canções); ôro ['oru] (ouro). Em "põe" o "e" se mantém;
  • O "i" dos grupos finais "–ais", "-éis", "-óis", "-uis" não é pronunciado: animás [ani'maʃ] (animais); anés [a'nɛʃ] (anéis); anzós [ɐ̃'zɔʃ] (anzóis); azus[a'zuʃ] (azuis);
  • Os ditongos finais átonos "ia", "ie" e "io" normalmente se reduzem a "a", a "e" e a "o": colôna (colônia); espéce (espécie); Antonho (Antônio);
  • Os ditongos "au" e "eu" (átonos e não finais) transformam-se (já não é tão freqüente) em "o": otorizê (autorizei); otomóve (automóvel); Oropa (Europa). "Eu" tônico transforma-se em ô em ô (eu) (isolado e depois de preposições usa-se "eu"), (meu) e (teu) (somente antes de substantivos). Deus é "Deus" ou "Deuje";
  • Desnalisazação da terminação -em,-ens: marge (margem), vage/vaja/baja (vagem). A terminação –gem (antecedida por vogal) pode ser reduzida a um –z [ʃ]: ferruz (ferrugem);
  • Embora não seja mais tão comum a terminção –ão pode reduzir-se para –ã: enlençã (eleição), televisã (televisão);
  • Troca do –a e do -o finais átonos para -e [i]: saliva por salive, bergamota por vergamóte (com fricatização do b), aperitivo por aperitive, remédio por reméde (ao lado da forma remédo), rádio por raide (ao lado da forma raido). Por vacilação o oposto também pode ocorrer: amante por amanto, querosene por querosena. Essas trocas não ocorrem de maneira tão generalizada hoje em dia (provavelmente ninguém fala "sorveto" de "morangue" no lugar de sorvete de morango);
  • O –nho final átono é reduzido (em função da rapidez do falar) para uma simples nasalização (podendo ser representado por –m): remedinho por remedim;
  • O lh é pronunciado como um i semivogal [j]: faiá em vez de falhar. Essa pronúncia está se tornando cada vez mais rara embora comum em outros falares brasileiros. A transformação do l palatal [ʎ] para [j] também ocorre em certos lugares no espanhol (yeísmo) e já ocorreu por completo no francês e no húngaro;
  • Palatização do "l" da palavra "lá" depois de ditongos decrescentes com –i: foi lhá, fui lhá, vai lhá.
  • Existe um assobio (semelhante a um "f") que ocorre no lugar do –s final (labialização de [ʃ]?). Realmente não é fácil saber se o falante o produz espontaneamente.
  • Adição de "a" no início de alguns verbos: alimpá (limpar), avoá (voar), ajuntá (juntar). As formas alimpar e ajuntar são aceitas como paralelas no Brasil.
  • Perda do "r" antes de consoante em: mucho (murcho) e mucilha (morcilha);
  • Troca do l/u= [w] antes de consoante por r: arco (álcool), farta (falta). Não é mais tão freqüente.
  • Troca do r antes de consoante por u=[w]: euvilha/euvíia (ervilha); cauvão (carvão); disfauçá (disfarçar (por influência de "falso"?), gaufo (garfo). Já não é tão frequente.
  • Nasalização do "e" e do "i" iniciais: enlençã(o) (eleição), enrado (errado), ensame (s=[z]) (exame), ensato (s=[z]) (exato), ing(ui)norante (ignorante).
  • O "ou" dos verbos do tipo roubar ou estourar torna-se "o" (aberto) nas formas rizotônicas: eu roubo= ô róbo; ele estoura os balões= ele estóra os balão.
  • Diz-se truxe [‘trusi] em vez de "trouxe" (1ª pessoa do singular). As formas verbais que começam por trouxe- o "ou" átono é pronunciado [o] ou [u]: ô truxe. E tu? Troxesse [tro/u'sεsi]?
  • Uso da fórmula verbo+bem+o mesmo verbo no particípio(às vezes no diminutivo) para enfatizar que uma ação deve ser bem realizada: explica bem explicado/explicadinho!, faz bem feito/feitinho! Certos verbos, por não se tratar de ações que exigem muito trabalho, não são usados nessa fórmula de modo que não se diz algo como "querê bem quiridinho" ou "alcançá bem alcançadinho".
  • Mudança do advébio meio para "meia" antes de adjetivo feminino: meia triste, meia nervosa. Também percebe-se flexão em "pão-duro" e em "puxa-saco": Ela é muito puxa-saca dele!, Pão-dura como é, ela vai ficá é rica!
  • Uso, como na maior parte do Brasil, da preposição "em" com o verbo ir em vez da preposição "a": Vô no dentista = vou ao dentista.
  • Como em outras partes do Brasil (Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Norte e Nordeste) normalmente usa-se "tu" em vez de "você". "Você" é usado quando não há intimidade entre as pessoas ou para demonstrar respeito (especialmente se a pessoa a quem se dirige aparenta ser mais velha). É verdade que alguns usam "tu" em qualquer situação;
  • Uso concomitante do pronome pessoal oblíquo átono "te" e do tônico "ti": ô te di (=dei) pra ti; ô já te falê pra ti.
  • Repetição dos pronomes e dos adjetivos interrogativos ao fim de uma pergunta para acusar ênfase, surpresa ou indignação:

Quando é que ele fez isso quando?

Onde é que ela tá agora onde?

Cadê/quedê a faca de limpá pêxe cadê/quedê?

Como é que eles fizéro isso sem me dizê como?

Por que que ela falô aquilo por quê?

O que qu´é/que é isso o que é?

Quem (foi) que quebrô a janela quem?

  • Repetição do sujeito ao fim de uma oração para acusar ênfase:

O meu pai trabalha com madêra, meu pai.

A minha mãe tem asma, minha mãe.

Sobre a pronúncia dos símbolos fonéticos leia o artigo IPA.

  • Quanto ao uso dos verbos:

- Uso do pretérito imperfeito em vez do futuro do pretérito: eu faria= eu fazia; tu comerias= tu cumia(s);

- Uso do verbo ir (presente do indicativo) + infinitivo ou simplesmente do presente do indicativo ao invés do futuro do presente: eu farei= ô vô fazê ou ô faço;

- Uso do presente do indicativo em vez do presente do subjuntivo (o verbo ser tem a forma "sêje" para a 1ª, 2ª e 3ª pes.sin. e para a 3ª pes. plu. e "sejêmo" (ou "sêje") para a 1ª pes. plu. do subjuntivo): ele quer que eu coma= ele qué q’ô como; ele quer que eu seja mais educado= ele qué q’ô sêje más enducado;

- O futuro do presente e do pretérito e o presente do subjuntivo são raramente usados;

- O pretérito mais-que-perfeito não é usado;

- Uso, hoje já raro, da construção "ficá + a + infinitivo" (ficá a falá) em vez da "ficá + gerúndio" (ficá falan(d)o).

  • Quanto às terminações verbais:

- -amos da 1ª pessoa do plural do presente/pretérito perfeito do indicativo torna-se -emo: nós falamos assim= nós falemo ansim; -emos, -imos da 1ª pessoa do plural do presente/pretérito perfeito do indicativo tornam-se -emo, –imo: nós lemos= nós lêmo;

- -ste da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito torna-se -sse: viste?= visse? (bem característico);

- -ou da 3ª pes. sin., pretérito perfeito torna-se –ô: ela contou= ela contô;

- -am da 3ª pessoa do plural torna-se -o: eles falam= eles falo; os políticos disseram= os político disséro; -em da 3ª pessoa do plural torna-se –e ou não é pronunciado: elas se vestem= elas se veste; eles dizem= eles dize/diz;

- -s da 2ª pessoa do singular não é pronunciado: tu cantas= tu canta; tu cantavas= tu cantava (isso acontece também no falar gaúcho). Como no Rio Grande do Sul é usado a forma verbal da 3ª pessoa do singular em vez da 2ª após tu: tu não falaste com ela?= tu não falô com ela? (paralelo a "tu não falasse com ela?");

- -eres da 2ª pessoa do singular do futuro do subjuntivo torna-se -é(s): se tu fizeres mais rápido acabarás mais cedo= se tu fizé(s) más rapidinho vás acabá más cedo. Analogamente também com "queres": queres ver?= qués vê(s) (o –s de "vês" deve-se ao uso repetido do infinitivo pessoal: "queres veres?". Já -ares e -ires tornam-se= -á, -i: se tu cantares mais alto as pessoas reclamarão= se tu cantá más alto as pessoa vã/vão reclamá;

- -ares, -eres e -ires 2ª pessoa do singular do infinitivo pessoal tornam-se –á, –ê e -i: para tu fazeres= pra tu/ti fazê;

- Uso, já raro, do –i em vez do –ei nos verbos da 1ª conjugação na 1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo (como se fosse da 2ª e da 3ª conjugação). É ainda observado em "di" (dei) (em espanhol diz-se "yo di"). Atualmente é comum (no passado era ainda mais) ouvir –ê no lugar de -ei: eu cantei= ô cantê.

Índice

Escrevendo o manezês

Muito comum é ver uma expressão manezinha escrita de várias maneiras. O manezês pode perfeitamente seguir a ortografia do português brasileiro já que se trata de um falar e não de uma língua ou de um dialeto. Alguns pontos no entanto poderiam ser considerados:

  • O "s" pronunciado pós-alveolar antes de consoantes e no final das palavras pode ser representado por "s" em vez de "x";
  • O [i] que é acrescentado ao fim das palavras (epítese) oxítonas terminadas em "l" e "r" pode ser representado por "e": capitale (capital); dotore (doutor) (a pronúncia mais comum atualmente é "dotô");
  • O "e" e o "o" finais não precisam ser trocados por "i" e por "u". A maioria dos brasileiros espontaneamente pronuncia o "e" e o "o" finais como [i] e [u].Em outras posições o "i" e o "u" poderiam ser usados no lugar de "e" e de "o" para alcançar uma transcrição precisa: puliça (polícia);
  • Os acentos agudo(´) e circunflexo(^) poderiam ser utilizados para permitir a exatidão da pronúncia: adepôje (depois); (a)dijaôje/dejaôje (?) =ainda há pouco; Terno de Rêzes (Terno de Reis); de cróca (de cócoras). Para um uso mais racional dos acentos poderia ser determinado que só um timbre (o aberto ou o fechado) seria marcado com diacrítico em palavras paroxítonas cuja pronúncia possa gerar dúvidas: ‘’adepôje" levaria acento e "croca" não (ou vice-versa). O –ei- e em –ou- paroxítonos do português padrão poderiam se converter em "ê" e "ô" em manezês: ‘’manêra’’, ‘’cadêra’’, ‘’ôro’’, ‘’côro’’. Os acentos agudo e cincunflexo poderiam ser mantidos sobre o "e" e o "o" em palavras provenientes de paroxítonas terminadas em ditongo crescente: ‘’reméde’’ (>remédio), ‘’glóra’’ (>glória).
  • Cemitério em manezês seria "Sumitéro" ou então "Çumitéro". O uso do "ç" inicial é visto por muitos com estranheza já que nenhuma palavra do português moderno começa com "ç". O "ç" inicial, no entanto, é encontradiço na ortografia arcaica: çapato;
  • A preposição "com" poderia ser elidida para "c’": abre c’a mão mesmo rapaz/ge! = abre com a mão mesmo rapaz! A conjunção e pronome "que" poderia ser reduzida para "qu’" ou "q’": foi o João qu’inventô essa bobaz = foi o João que inventou essa bobagem; qués q’ô te digo a verdade pra ti? = queres que eu diga a verdade para ti?
  • Sugestão para uma correlação de consoantes manezês-português:

ç (ou s quando inicial)<ch (um tanto exótico e raro) (ç/surrasco/churrasco);

ch<ç(conichons/condições);

g<z(dege/dez);

j<s(treje/três);

s<j(hoise/hoje);

z<g(rezistro/registro);

z([ʃ])<g(friaz/friagem);

s([z])<x(ensato/exato).

Alguns termos e expressões manezinhas

(observação: o –r dos infinitivos foram suprimidos)

Acha de lenha2 – pedaço de lenha para ser usado no fogão-à-lenha.

Adijaôs (ou dijaôs ou (a)dijaôje) – ainda há pouco, há alguns instantes.

Agumitá – vomitar. Agumito – vômito. Essas palavras raramente são usadas hoje. Em português a transformação do "v" para o "g" ocorreu também nas palavras "golpelha" (de "vulpecula") e Guimarães (de "Vimaraens").

Ah! Para ô! (ou apara ô!) – pare com isso! Pare de falar bobagens!

Ãh-ãh-ãh! (são geralmente três ãhs) – dito quando se acha que o que foi falado ou foi feito não passa de uma bobagem ou um exagero: Ãh-ãh-ãh, se tens dinhêro pra comprá um carro desse ô!

Ai! Ai-ai-ai! – expressão de admiração e/ou aprovação. Equivale a "você é demais!". Muitas vezes é usado ironicamente. É necessário ouvir um nativo para aprender a entonação. (o primeiro "ai" é mais enfático, depois há uma rápida pausa seguida pelos três "ais" sendo que o "a" do último "ai" é alongado).

Ajojado/a – inconsciente ou tonto/a devido a uma surra, a uma paulada etc.

Altos/as (sic) – muito bom/bonito, interessante, de qualidade. É sempre usado com um –s mesmo com palavras no singular. Ex.: altas bermude essa tua! Altos carro aquele ali!.

Amarelo/a – uma maneira carinhosa (às vezes pode ser considerada ofensiva) de designar o manezinho caiçara, autêntico. Pode ser usado para chamar a atenção (de uma maneira pouco severa) de alguém quando faz algo errado: ô seu amarelo!

Antesdonte1 (ou antonte) – anteontem.

Anunciá aos quatro vento – espalhar uma notícia, divulgar uma novidade.

Aparado (ou aparadinho)1 – café recém-feito, "cafezinho".

Aporrinhado/a – chateado, de mal-humor, incomodado, contrariado. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Arado - (só como predicativo) faminto (por), voraz. Ex.: ele é um arado por pipoca doce.

Aratóro – oratório.

Ariá (ou areá)1 – limpar utensílios metálicos de cozinha com areia ou com palha-de-aço. Antigamente limpava-se com a areia da praia as panelas e frigideiras. Daí o verbo "ariá". Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Arrastá a asa (pra) – aproximar-se sutilmente (ou não) e frequentemente de alguém com propósitos amorosos.

Atacado/a – agitado/a, irrequieto/a, falante (por estar nervoso/a ou ansioso/a).

Atasanado/a1 - incomodado/a, que vem sendo importunado/a.

Atentado/a – pessoa brincalhona, provocadora: Ô rapage atentado esse!

Atolesmado/a (sic) – um tanto tolo/a (usado para pessoas).

Arranjá/arrumá pra (minha, tua…) cabeça – ganhar preocupações, dores-de-cabeça.

Arrombasse! – você foi/fez muito bem! Freqüentemente usado ironicamente (nesse sentido antigamente dizia-se "arrombasse Laila!" (sic)).

Avuado/a1 – distraído/a, que vai derrubando as coisas ao passar, esquecido/a.

Baga 2 – fruta arrendodada de pequeno porte, semente de fruta (geralmente as não muita pequenas), caroço (como o do pêssego), comprimido/cápsula (remédio). "Baguinha" é uma "baga" pequena ou qualquer objeto mais ou menos arrendodado, diminuto e não identificado.

(metê) Baga – meter a bola no gol, (fazer) gol. Ex.: meti duas baga neles (=sobre o time adversário) onte que foi a coisa más linda ô!

Bago – serve tanto para designar um grão (sic) (de feijão, de arroz, de milho, de areia etc), como uma semente (geralmente as pequenas) de fruta, um fruto de um cacho de uva ou um comprimido (drágea).

Baguaçu – jambolão, jamelão, árvore da família das mirtáceas.

Baita – grande, muito bom. É usada a mesma forma para palavras masculinas e femininas: é um baita terrenão esse!/é uma baita casa essa tua! As formas aumentativas são baitão e baitona. "Baita" vem do falar gaúcho.

Bambo – uma forma já desusada de dizer "vamos".

Banana recheada – pastel doce com uma fatia (metade) de banana como recheio. Muito apreciada em Florianópolis. O pastel é polvilhado com a açúcar (geralmente misturado a canela em pó). O termo "recheada" é usado inapropriadamente.

(tomá um) Banho geral – banho completo (incluindo os cabelos), antigo banho semanal.

Baraço – ramo (mais recente) das plantas trepadeiras ou rastejantes.

Baxa a bola! – uma ordem ou advertência como quem diz "não fique exaltado", "calma lá" ou " você não está em posição de mandar ou advertir!".

Baxá a crista2 – o mesmo que "baxá a bola" só que é usado em relatos. Ex.: depôs da bronca do guarda ele teve que baxá a crista.

Bem na pinha! – bem na cabeça!

Bença! – bênção! Pedido de bênção (geralmente de uma criança) a um parente ou a um padrinho ou madrinha. A resposta esperada é "Deus te abençoe!’’.

Bernunça – personagem do "boi-de-mamão" semelhante a um jacaré ou a um dragão chinês (simplificado) que tudo come (inclusive pessoas). Também é uma forma, já desusada, de qualificar alguém que come de tudo. Encontra-se no Dicionário Houaiss.

Bicha-cabeluda – lagarta com pelos urticantes no dorso.

Bicho bom! – é dito a alguém que fez algo exato/bem feito/extraordinário (é usado também ironicamente).

Bicho-do-ouvido – tipo de diplópode (como o piolho-de-cobra ou gongolô).

Bico-de-lacre – pequeno passarinho de origem africana de bico vermelho que anda aos bandos. Os bandos são unidos, agitados e fazem muito barulho. Encontra-se no Dicionário Houaiss.

Biéco(?) – pênis de criança.

Boca-santa2 – diz-se daquele que fala coisas que acabam acontecendo.

Boi-de-mamão – folguedo praticado na região de Florianópolis mais ou menos equivalente ao boi-bumbá e ao bumba-meu-boi. Participam da apresentação os seguintes personagens: Mateus, Vaqueiro, Doutor, Boi, Cavalinho, Urubu, Cabra, Bernunça e Maricota. Mais recentemente apareceram os ursos. O Dicionário Houaiss registra que o termo é usado no Paraná também.

Bolacha – não é um regionalismo mas cabe aqui uma curiosidade: "bolacha" atualmente refere-se mais ao biscoito caseiro ou artesanal. "Biscoito" é um termo mais recente e é usado principalmente para as bolachas industrializadas (encrementadas). Biscoitos de pouca espessura e sem recheio costumam ser chamados de "bolachas" também. A verdade é que não há uma regra para distinguir uma "bolacha" de um "biscoito". Há ainda o termo "broa (de milho)" que não foi substituído por "biscoito" por enquanto (mas se a broa não for arredondada será usado o termo "bolacha de milho" ou "biscoito de milho"). Outro termo que está "perdendo espaço" é "musse" que foi quase totalmente substituído por "doce" ou "geleia" hoje em dia.

Bombona – galão, recepiente plástico usado para guardar e servir água em bebedouros.

Branco/a – transparente (sic) (tratando-se de um líquido ou de vidro/plástico) ou, realmente, branco.

Bucica1 - cadela vira-lata, vagabunda, arredia.

Cabeça-de-bagre - idiota, cabeça-oca, abobado.

Cabeça-de-camarão2 - idiota, cabeça-oca, abobado.

Cabeça-de-catuto – idiota, cabeça-oca, abobado.

Cabrêro/a – desconfiado/a, preocupado/a.

Cacalhada – grande quantidade de coisas velhas/inúteis ou grupo de pessoas consideradas indesejáveis/ruins.

Cacau2 – temporal, chuvarada.

Cachorro-sem-dono – diz-se da pessoa que, conforme a conveniência, ora está num lugar ora está em outro. Pessoa que tenta fazer amizade com muitos no intuito de conseguir vantagens. Indivíduo sem destino.

Cagaço1 – susto, surpresa. Termo também usado em Olhão (sul de Portugal).

Caí um tombo – cair ao chão de frente.

Camaçada de pau – surra, sova.

Cambá (pra) – virar para um lado (em um caminho). Termo um tanto antigo e usado hoje com ironia. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Capucho – capuz. Há em português também a palavra "capucha". Capucho vem do italiano "cappuccio" enquanto capuz vem do espanhol via moçárabe (conforme o Dicionário Houaiss).

Casa de material – casa de alvenaria.

Cascóte2 – filhote de corvina (peixe), corvinota.

Castela – molusco de coloração roxa, univalve (concha oblonga e lisa como a do búzio mas maior), encontrado sob a areia (bem rente a superfície e com a concha exposta) de praias de mar grosso.

Cavalo vestido – indivíduo grosso, ríspido.

Catuto1 – cabaça, porongo.

Céu empedrado (?) – antigamente dizia-se do céu com muitos altos-cúmulos (separados).

Cheio das/dos (+ substantivo no singular) – cheio de. Ex.: ele é cheio das conversa/histór(i)a (sic) (= ele gosta de contar lorotas). Um relójo cheio dos ôro (=um relógio com muitas partes douradas ou de ouro).

Chimia ([ʃi´mia])– qualquer pasta doce (como a geleia) usado para comer com o pão. A nata (creme de leite) e outras pastas não-doces são considerados por alguns como "chimia" também. "Chimia" vem do alemão "Schmiere" que significa "graxa" e com o tempo passou a significar qualquer coisa pastosa para passar no pão. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Chorinho – o pouco que sobra de uma bebida em uma garrafa ou um jarro que ainda pode ser consumido ou dado de cortesia.

Chupeta/chupetinha – "tampa" (calota) que se faz cortando longitudinalmente o topo de uma laranja descascada de onde se começa a chupar a fruta. A "tampa" era oferecida normalmente a uma crianças.

Cidade – uma maneira usado pelo mais velhos para se referir ao Centro de Florianópolis. Os moradores das cidades vizinhas à Capital também usavam esse termo.

Cinamona – cinamomo (árvore da família das lauráceas). O –na final pode ser explicado pelo fato talvez de "cinamona" derivar de termos como "cinameína", "cinamena", "cinamênio" etc registradas no Dicionário Houaiss.

Coisa linda! – parabéns! Você está muito bem! É dito geralmente com ironia. Também pode significar (sem ironia) "perfeito!", "tudo está certo/correto!".

(que) Coisa (mais) linda! – exclamação dita, principalmente por mulheres, diante de algo bonito. Pode ser usado num relato também.

Coisa tola – pessoa tola, sem graça.

Coive – uma forma antiga(?) de dizer "couve". A forma mais usual é "côve".

Cola – cauda, rabo, traseiro(usado inclusive para pessoas).

Como é que pode, né? - que absurdo! Como é possível isso?

Conduto2- prato principal, aquilo que se come com o arroz, com o feijão, com o macarrão ou com o pirão, isto é, a carne, a linguiça, os ovos, os frutos dos mar, o frango etc.

Confiado/a – aquele que abusa da liberdade, que apresenta intimidade indesejada.

Concertada2 – bebida à base de cachaça, café e açúcar com cravo, canela e erva-doce. A mistura deve ser fervida.

Contapé – uma forma antiga (irônica hoje em dia) de dizer pontapé.

Corre aqui! – venha aqui!

Corriquêro/a – pessoa que passeia muito e vai frequentemente a casas dos outros.

Coruja - rosca de polvilho tradicional (grande).

Côsa – uma forma irônica de dizer "coisa".

Credo! – meu Deus! Pare com isso! Também pode ser usado no sentido de "pobre de ti!", "não se atreva": Credo! Não és nem lôco (=você não é louco ao ponto) de tocá no mô carro!

Cuca – bolo (ou pão doce) de origem alemã, normalmente retangular e não muito alto (há cucas no formato de pão de fôrma também), com farofa, canela e geralmente alguma fruta (banana, maçã…) em cima. "Cuca" vem do alemão "Kuchen" (bolo).

Curréca, currequinha1 – corruíra, carriça, cambaxirra, passarinho da família dos trogloditídeos.

Currióla – grupo voltado para atividades suspeitas, "gang". Termo já não tão usado e bem pejorativo. "Corriola" consta no Dicionário Houaiss.

Dá (muita) confiança – permitir intimidades, dar liberdade demais.

Dá o/de pinóte – sair apressadamente de uma situação perigosa. Encontra-se no Dicionário Houaiss.

Daí ô/eu endóido! – assim eu enlouqueço! Desse jeito eu não aguento!

Dás um ([da´zũ]) banho! – dito a uma pessoa que fez algo extraordinário ou, ironicamente, muito estúpido.

De certo – talvez, quem sabe. Usado com ironia no final da frase: ah, o tô irmão s’isqueceu do caminho de casa de certo!

De cheio – em cheio, não de raspão (numa colisão de automóveis por exemplo).

(vai) Degavá! – devagar!

Dége – dez. "Dége" já está ficando raro (é usada pelos mais velhos).

Deitá o cabelo2 – fugir, sair. Expressão considerada vulgar. De origem tropeirista?

Deixá se batê – deixar "se virar", deixar alguém aprender sozinho, não auxiliar.

Dentilha – um termo já desusado para sardas (do rosto).

Descê – para quem não mora no Centro de Florianópolis significa "ir ao Centro da cidade".

Desgranido/a2 – desgraçado/a.

Desinliá2 – desmanchar o nó, desenrolar um linha.

Desmanchá – desfazer, desmontar. É usado de maneira mais ampla: "desmanchá uma casa", "desmanchá um muro" etc.

Destrambelhado/a/destrambelhadinho/a1 – um tanto maluco/a, muito desatento/a. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Deu pra minha (tua, nossa…) bola! – não tenho mais chances agora, estou em apuros agora.

Deu pra tua cabeça! – agora você está enrascado!

Deve de (+infinitivo) - deve (probabilidade, sugestão ou obrigação) + infinitivo.

Deve de tá (+gerúndio ou a+infinitivo(uso antigo)) – provavelmente está + gerúndio. Ex.: não vai lá não! Ele deve de tá almoçando a essa hora.

Dilido/a – diz-se principalmente da carne que está bem feita e desmanchando-se.

Dindinha – madrinha.

Dindinho – padrinho.

Direto - frequentemente, quase sempre. Ex.: Ela conversa com a gente direto.

Dispará – fugir, sair correndo.

Dôs/dôje – dois. A forma "dôje" já está ficando rara (é usada pelos mais velhos).

Dôs/dois toque – é bem fácil…, sem esforço para…, é rápido para.... Ex.: é dois toque pra enchê o pineu.

Dô-te – equivale a dizer diretamente a uma pessoa "não sou idiota/burro para aceitar isso!", "não me venha com esta proposta idiota!"

… e pau nos córno! – é dito como incentivo após um anúncio para começar algo (geralmente prazeroso ou emocionante). Equivale a "mãos à obra!", "vamos botar para quebrar!". Ex.: o cardo/caldo de pêxe tá pronto gente! Cada um faz o sô pirãozinho e pau nos córno!

Em dôs/dois toque – rapidamente, facilmente. Ex.: vô e volto em dois toque.

Empanzinado/a2 – que comeu muito e se sente mal.

É capaz/é capaz mesmo! – é possível! Até parece! Ex.: é capaz que tu não pode carregá essa pedra ô! (sabendo-se que a pessoa tem completa capacidade).

É uma coisa! – é um problema/uma dificuldade!

Ei-co! - é dito quando alguém passa por nós apressamente ou quando faz algo atropelado e sem jeito. O "ei" é tônico e breve, há uma pequena pausa após e o "o" do "co" é alongado e bem pronunciado (ô e não u).

Ei(t)a nêgo! – expressão de aprovação (usado ao ver uma mulher bonita ou uma coisa grandiosa/exagerada). Geralmente não é preciso dizer mais nada a seguir. Pode ser usado ironicamente. "Ei(t)a" é usado antes de um palavrão para dar ênfase.

Emperado/a – ficar em pé e parado/a (como ao ficar olhando pela janela) por um tempo considerável.

Enfencá – introduzir (geralmente algo pontudo ou afiado) perfurando (o chão, um corpo). Ex.: uns home ([ũ´zomi]) tivéro aqui onte (=ontem) e enfencaro esses pau aí no chão pra marcá a estrema (=limite) do terreno.

Então, então! – uma resposta irônica a um comentário também irônico. Equivale a um "é isso aí!", "bem isso aí!". É usado principalmente por mulheres.

Entendesse? – equivale aos finais "entendeu?", "sabe?".

Entonce/intonce – uma forma antiga de dizer "então" ("entonces" em espanhol).

És um (pronuncia-se [ɛ´zũ]) monstro! – você é muito competente! Freqüentemente usado com ironia.

Esbarrada – colisão de automóveis (se a colisão envolveu veículos grandes e os danos foram muitos usa-se geralmente "acidente" e não "esbarrada").

Escardado/escaldado/iscaldado/iscardado – diz-se do pirão bem cozido por água ou caldo quentes. Segundo Rodrigues (2) "escaldado/a" refere-se a uma pessoa que por passar por uma situação desagradável mostra-se mais cuidadosa.

Êsco! – era usado (principalmente nos anos 1980) quando alguém acabava de falar algo exagerado ou incorreto. Pronunciava-se o "e" e o "o" bem longos. O "o" é pronunciado "ô".

Esparro – é dito a alguém que se submete a alguém, que faz papel de escravo, serviçal, cúmplice. De origem argentina?

Esteporado/a/isteporado/a1 – muito doente, muito prejudicado/a. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Estrafêgo/istrafêgo – quando algo é puxado e disputado de forma confusa.

Estralaçada1 – estalidos exagerados como ao se movimentar os ossos, a madeira, o bambu etc. Também usado no Rio Grande do Sul.

Europorto – aeroporto.

Farra-de/do-boi – brincadeira de origem açoriana onde é usado um boi. O animal é provocado para correr atrás dos participantes (‘’farristas’’) em ruas ou dentro de cercados (chamados ‘’manguerons/mangueirões’’). Não raro o animal e os participantes (ou não-participantes) ficam feridos, razão pela qual é ilegal em certas cidades.

Fato2 – estômago de gado com o qual se faz a "dobradinha".

Fazê (alguma coisa) a prestação – fazer aos poucos algo que poderia ser feito de uma vez só.

Fazê iscarne/iscarno de – fazer escárnio, rir da desgraça/dos defeitos/da situação embaraçosa alheias.

Fechô (com o "ô" curto e enfático)! – negócio fechado! É dito após uma conferência que acusa que tudo está certo e/ou coincidente. Trabalho encerrado com sucesso.

Femóca1 – afemenido, maricas.

Ficá tolo/tola – ficar surpreso/a, admirado/a, desorientado/a.

Ficá tolo/tola por – conhecer e logo gostar de.

Fazê iscarne/iscarno de – fazer escárnio, rir da desgraça/dos defeitos/da situação embaraçosa alheias.

Figo – fígado. Pode-se dizer "os/nos(sic) figo" (= o/no (meu, teu…) fígado). Curiosamente a palavra fígado vem do latim "figādus" = cheio de figo. "Figo" também é o fruto da figueira.

Força de – grande quantidade de. É sempre antecedido por "a" ou "uma". Ex.: vê só a força de gente que vem pra cá!

Funda2 – forquilha de madeira com elástico usada para atirar pedras. O mesmo que "estilingue".

Furunco – furúnculo.

Galfo/gaufo ([´gau̯fu]) – um forma antiga e hoje irônica de dizer "garfo". Existe até o "Clube do Galfo" em Florianópolis.

(ah) Ganhasse! (sic) – é dito quando alguém fez ou propõe algo absurdo/inadimissível.

Gervão – tipo de lagarta (geralmente grande. Pode ter ou não pelos urticantes).

Górpe 1 – uma forma já desusada de dizer gole. "Dar um górpe" quer dizer engolir de uma vez só. "Golpe" (com -l-) com o mesmo significado encontra-se no Dicionário Houaiss.

Gôto 1- gogó, goela. "Foi ao/no gôto" quer dizer engasgar. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Governá (o pêxe)2 – limpar e cortar o peixe.

Grado/a – grande, graúdo/a. Muito usado com frutos do mar (em oposição a "miúdo"). Grado é considerado sinônimo de grande no Brasil e não uma forma dialetal.

Guérra2 – garra (do siri, do caranguejo etc).

Guri (ou rapaz) pequeno – criança, menino, pré-adolescente. É usado com adolescentes quando querem mostrar força ou coragem ou quando se intrometem em assuntos adultos.

I pro pau – perde-se/estragar-se/arruinar-se por completo.

I/vim (sic) com tudo – ir/vir com toda a força, com toda a disposição.

Incarnado1- vermelho, da cor da carne. Diz-se também da pessoa com uma ideia fixa que se torna incoveniente.

Inda más (que) – principalmente porque, e isso vai acontecer mesmo porque. Ex.:- Acho que o almoço não vai dá pra todo mundo!- Inda más que é cardo/caldo de pêxe…

Insonso/a – sem sal, insosso/a. Também pode ser usado para designar uma pessoa sem atrativos, sem-graça.

Inticá, intisicá – provocar, irritar (uma pessoa ou um animal).

Intranhado – difícil de tirar (sujeira, espinho, encardido…), que penetrou fundo.

Inventá moda – exagerar, ser caprichoso ou perfeccionista, tentar melhorar algo que já está bom (com risco de estragar tudo).

Iscalá (o pêxe) – tirar as vísceras do peixe, salgá-lo e colocá-lo ao sol para secar.

Iscangalhá – "escangalhar", estragar (um equipamento), deixar fora de uso.

Iscapá de grande – sair de um acidente ou de uma situação complicada ileso.

Isculhambação – bagunça, desordem, desorganização. Isculhambá – "esculhambar", tirar da ordem, desarrumar um ambiente, atrapalhar o andamento de um trabalho.

Isganado/a – morto-de fome, que come muito e com pressa, que não divide com os outros (principalmente a comida).

Isganá – enforcar alguém com as mãos, estrangular.

Istâmigo – estômago ("estamago" (sic) é uma forma antiga).

Istepô/istepôra – (de estupor?) pessoa que atrapalha (geralmente de propósito) ou que prega peças.

Istrová – estorvar, atrapalhar, obstruir. Ex.: não m’istróva, tô vendo o jornal.

Itagé1 – móvel dividido em duas partes: a inferior era fechado e servia para guardar alimentos, a parte superior era envidraçada e era usada para guardar as louças e os copos. Vem do francês "étagère" pelo provençal "estagiera" (segundo o Houaiss).

Lanhá – maltratar, surrar (com uma tira, um chicote etc) provocando cortes, marcas etc. Dar cortes no peixe para que o sal possa penetrar melhor.

Largato – lagarto. Também há metátese em "iorgute" (=iogurte).

Largo/a – sortudo/a.

Latão – ônibus. Termo relativamente recente.

Lestada – chuva (geralmente fina) e vento persistente vindos do mar (leste).

Liso/a – esperto/a, vivo/a, oportunista.

Mãe-teresa – um nome para o louva-a-deus? (de "põe-mesa"?).

Malinaz/malinage – algo feito com maldade, brincadeira de mau gosto (às escondidas), molecagem. Termo já desusado ou só usado por idosos. Ex.: - Cadê o más pequeno da comadre Maria cadê?- Ah, deve de tá fazendo malinaz, só pode!

Malino/a – malvado/a, mal-intencionado/a, que gosta de provocar dor nos outros, mau-caráter. De acordo com o Dicionário Houaiss trata-se de uma forma informal de "maligno".

Mandrião/mandriona – preguiçoso/a, que gosta de ficar na cama até tarde, que corre do trabalho. Não é um regionalismo mas é bastante empregado na região de Florianópolis.

Mar grosso – em Florianópolis é o mar aberto, agitado e de água fria (contrário ao de mar de baías).

Maricóta – personagem do "boi-de-mamão". Caracteriza-se com uma mulher muita alta que, ao dar giros, ameaça esbofetear todos com os seus longos braços.

Marisco – mexilhão (molusco bivalve que se fixa em rochas a beira-mar). Não tem o sentido amplo como em outras regiões.

Martelinho 1 – pequeno copo para tomar cachaça ou o conteúdo do mesmo em cachaça.

(pão de) Massinha 1 – tipo de pão doce pequeno.

Matá (um pêxe) – pescar, pegar (um peixe) (principalmente com tarrafa).

Mata-cavalo – erva espinhosa baixa comum em terrenos abandonados com frutos semelhantes aos do tomateiro. O mesmo que "arrebenta-cavalo". Consta no Dicionário Houaiss.

Me/m’admiro de ti (ô)! – você agora me surpreende! Estou surpreso com você agora!

Meia-hora – uma forma de dizer "meio-dia e meia" (=12:30).

Mêmo/a – mesmo/a.

Meu/mô filho – meu caro (freqüentemente dito com ironia). Ex.: ô mô filho, pára de dizê bobaz!

Mijada – chamada de atenção, bronca, sermão. Não é um termo local mas é bastante usado.

(uma) Missidade de – (de imensidade?) uma grande variedade/quantidade de. Ex.: tinha uma missidade de coisa na lojinha.

Misura – termo antigo para careta (expressão facial exagerada).

Montuêra – grande quantidade de, Ex.: tinha uma montuêra de coisa gostosa na festa junina pra cumê!

(uma(s)) Muda de rôpa – roupa levada (numa viagem por exemplo) para ser usada mais tarde.

Mu-mu (só como predicativo) – fácil, mole. Ex.: é mu-mu pra mim isso aí. Mu-mu pode se referir a uma marca bem conhecida de doce-de-leite.

Murrinha – pessoa chata, que pergunta muito, exigente. Vale para os dois gêneros: - Ó! Lá vem aquele murrinha! "Murrinha" segundo Corrêa (1) significa "catinga" (mau-cheiro). "Morrinha" (com -o-) segundo o dicionário Houaiss tanto quer dizer "odor desegradável" como "algo maçante" (entre outros significados).

Na marra – forçado/a, sem vontade, obrigatoriamente.

Naba – problema, pessoa inoportuna ou pouco útil.

Não adianta – sem discussão, não há o que discutir, sem sombra de dúvidas. Ex.: não adianta, ele é o melhó jogadô do time.

Não demora… – logo logo…, dentro em pouco…, muito provalvelmente em seguida.... Ex.: não demora a água chega e vai dá para tomá banho.

Não digo mesmo! – que absurdo! Que besteira está dizendo/fazendo! (É usado para chamar a atenção de alguém).

Não és (nem) lôco de! – não seja idiota (de)! Não se atreva (a)! (Dito quando alguém deseja fazer algo proibido, arriscado ou sem autorização).

Não i atraje/atrás de – não dar ouvidos a, não acreditar em.

Não, não (+ o mesmo verbo da pergunta) – sim …!, sem dúvida que …!, é claro que …! Ex.:- O gato comeu o canaro?- Não, não comeu! = comeu sim! Sem dúvida que comeu!

Não, não é? - é ironicamente dito quando alguém diz uma obviedade ou tem dúvias sobre algo evidente. Ex.:- Carro azul? = Esse carro é azul?- Não, não é? = É claro que é azul!

Não puxá pela cabeça – não usar do bom senso/da inteligência.

Não tem? – equivale a "sabe?", "entende?" finais. Ex.: ela tem três filho do primêro casamento não tem? Alguns o usam de modo vicioso.

Nêgo/a – tratamento um pouco mais íntimo que "querido". É normalmente usado por mulheres e entre parentes e amigos.

Nêgo/a – (surpreendentemente) grande,

Negra – a última e decisiva partida de um jogo.

Nóga - um termo antigo para "noz". A palavra nogueira parece derivar de noga e não de noz.

Nojento! – um maneira carinhosa de "xingar" alguém:- Sai daqui seu nojento!

Ô – usado para reforçar uma repreensão, um comentário crítico, uma afirmação, uma sugestão ou uma ordem (no final). Equivale mais ou menos a um "seu", "cara", "meu amigo", "tchê". Ex.: pára com isso aí ô! Cala a boca aí ô! No começo da frase serve para chamar a atenção: Ô, tens um realzinho pra me imprestá aí?

Ói-ói-ó! (pronunciado rapidamente) – olha só! Como é possível isso?

Orelha-de-gato2 – massa de farinha de trigo e ovos frita e polvilhada com açúcar e canela em pó. Também é conhecida como "taréco" ou "cueca-virada".

Otcho – uma forma de dizer "oito".

Ovo recheado – ovo cozido empanado. O termo "recheado" é usado impropriamente. Pode-se dizer que antigamente apenas se dizia "recheado" em vez de empanado: camarão recheado = camarão empanado.

Pampêro (de vento) – vento forte repentino (geralmente trazendo poeira).

Pandorga – pipa, papagaio.

Pantano ([´tã]) 1 – uma maneira antiga e já desusada de dizer "pântano". Em espanhol também é uma paroxítona.

Papa-ovo2 – cachorro vira-lata, vagabundo, arredio.

Pão de trigo – pão francês (o pão mais comum em Florianópolis). Dependendo da região do país é conhecido como "pão de sal", "pão de água" ou "cassetinho".

Pão-por-Deus2 – carta com um pedido ou uma poesia. O papel tradicionamente tem a forma de um coração e geralmente vem com desenhos de flores e corações nas bordas. As bordas podem vir denteadas (imitando renda).

Paranho – teia de aranha.

Parecença – semelhança. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Partilêra – pratileira.

Patente – "casinha", banheiro (antigamente separado da casa).

Patrão – tratamento amistoso mas sem muita intimidade (no comércio por exemplo). Equivale a "meu amigo": Fala patrão! O que vai ser hoje patrão? Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Pau - dinheiro (substitui o nome da moeda corrente).

Pau na pinha! – é dito quando a pessoa errou depois de insistir que estava correta ou então quando fez uma escolha ruim. Equivale a dizer "bem feito!", "você errou feio!", "você se deu mal!", "pau nos corno!"

Pau nos córno! – expressão de decepção ou revolta dirigida a uma pessoa.

Peça([-ε-]) / peça rara – pessoa estranha, exibida ou chamativa, "figura", "tipo".

Peguê/peguei (e)… 2 - daí então.... Ex.: Despôs de armoçá fui lhá falá com ele. Peguê e disse tudo que tava engasgado!

Pensão – preocupação. Ex.: tô com pensão porque tá quase meia-noite e eles ainda não chegaro da festa.

Penso/a2 – torto/a, inclinado/a. Ex:. A tua camisa tá pensa = Ela está torta/mal colocada/mal vestida. Encontra-se tembém no Dicionário Houaiss.

Perau2 – despenhadeiro, ribanceira. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Pila – dinheiro (substitui o nome da moeda corrente). Só é usado no singular. Vem do falar gaúcho(?).

Pió/pior (é) que (+ o mesmo verbo da pergunta) – realmente é verdade que…, a verdade é que + verbo, infelizmente é verdade que…. Ex.:- Ele falô isso da minha irmã mesmo?- Pió (é) que falô!

Pió/pior que é! - realmente é verdade! infelizmente é verdade!

Pisado1 – ferimento (principalmente quando já formou um cascão).

Poço de ignorância - indivíduo ignorante e arrogante que não gosta de sugestões.

Poia ([-o-]) – pessoa inútil ou muito parada.

Pôs/pois agora… – então…, pois é.... É dito quando ficamos embaraçados ou sem saber o que responder diante de uma pergunta.

Pôs/pois então [pó(i̯)zĩtãũ̯]– o mesmo que "pois agora".

(só) Pra ti/tu vês/vê (+ o nome da pessoa com quem conversamos ou guri ou rapage …) – veja só, só para o seu conhecimento. Ex.: ele tem duas casa de praia (só) pra tu vês João.

Presepêro/a – aquele/a que gosta de se exibir em aglomerações, que gosta de se destacar de maneira pouco discreta.

Prosa2 – aquele/a que gosta de contar vantagens. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Que chegue – o suficiente. Ex.: não tem comida que chegue para essa turma de morto-de-fome!

Que Deus o livre – demais, em excesso. Ex.: ela fala que Deus o livre.

Que é uma coisa! – demais, bastante. Geralmente usado em situações não favoráveis. Ex.: tá chovendo que é uma coisa!

Qu’é que é isso né?! – que absurdo! Que coisa feia! O mesmo que "com’é/como é que pode né?".

Que não é mole – muito/a, muito/a … mesmo. Ex.: no baile de onte teve gente se brigando que não é mole.

Que nem – como, igual a. Ex.: ele anda que nem um pato.

Qué(s) vê(s) (só) – equivale a dizer "principalmente", "um bom exemplo é". Ex.:- Que frio que tá na praia!- Qués vês de madrugada!

Qué(s) vê(s) (só)? – você duvida que eu faça?

… que tem - … que há, …que existe. Ex.: esse aí é o boi mais brabo que tem por aqui.

Quebra-mola – lombada.

Quirido/Querido – equivalente a "meu caro/minha cara". Ex.: obrigado pela força, querido. Às vezes é usado ironicamente: dá para saí da frente, querido? Obs: pode ser usado por/entre homens e não é necessário intimidade.

Rabá2 – não acertar ou atingir só de raspão (com uma pedra por exemplo) algo de longe.

Raigá – rasgar.

Rancho – compras para sustentar uma família/um grupo durante um mês. Compra volumosa feita mais ou menos todos os meses.

Rapariga – menina, garota, guria, mulher nova. Não tem a conotação pejorativa do Nordeste do Brasil.

Rapage – menino, rapaz, guri, homem novo.

Rebojá1 – mudar de direção devido a um obstáculo (aplica-se ao vento). Segundo Rodrigues e o Dicionário Hoauiss "rebojar" significa "redomoinhar".

Rebôjo 1- mudança de direção que o vento dá ao encontrar um obstáculo (como um paredão por exemplo), turbulência. Consta no Dicionário Houaiss. Segundo Rodrigues trata-se do vento sul (com rajadas).

Reméde/remédio pra/pro musquito – inseticida.

Rena – reclamação raivosa ou chorosa.

Rená – reclamar, choramingar.

Renento – aquele que "rena" muito.

Rôpa-de-briga2 – roupa surrada e velha própria para ser usada em ambientes sujos ou no mato.

Sagrado – equivale mais ou menos a dizer "querido". Muito utilizado pelas mulheres com os meninos. Entre adultos soa bem irônico.

Saí – aparecer, estar sendo construído. Ex.: sabias que vai saí um prédio bonito no começo da rua?

Salsêro – confusão, discussão. Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Sambambaia – samambaia. "Sambambaia" é uma forma antiga segundo o Dicionário Houiass.

S’apricatá – precaver-se.

Saragaço2 – confusão, tumulto. Em certas partes de Portugal diz-se "saragata" ou "zaragata" (conforme o Dicionário Houaiss). "Saragaço" (de sargaço) também é um tipo de alga que costuma ocupar grandes áreas do mar.

Seguido2 – frequentemente, quase sempre. Ex.: ele vem seguido aqui em casa pra almoçá ou ele vem aqui em casa pra almoçá seguido.

Sê igual a cavalo de padêro – fazer automaticamente/sem pensar algo após muito anos de prática. Também quer dizer que a pessoa só sabe um caminho ou uma só maneira de fazer algo.

Sê/ficá incarnado/a em – gostar de, apreciar. Ex.: João é/ficou incarnado na tua prima.

Sê tolo/a ou tolinho/a por – gostar muito de, fazer tudo por.

Seco/a – uma maneira um tanto ofensiva/irônica de dizer "magro". "Seco pra" significa "estar com muita vontade de": ele tá seco pra tomá umazinha(=cachaça).

Sêje – seja (3ª pes. sin.).

Sentá a mão – bater, esbofetear.

Sês/sêje – seis. A forma "sêje" já está ficando rara (é usada pelos mais velhos).

S’incarná em – gostar muito de, aprovar. Ex.: Ô, m'/me incarnei/incarnê nessa moto.

Siri-oçá/uçá – o mesmo que "uçá", caranguejo azulado e robusto com patas vermelhas e peludas comum nos mangues de Florianópolis. A sua carne é muito apreciada.

Só pode (de) sê … (né?)/Só pode (né?). – com certeza, sem dúvida, não há outra opção. Ex.: - Só pode (de) sê um chato pra batê na porta dos ôtro essas hora (né?)! ou – Deve de sê um chato pra batê na porta dos ôtro essas hora. Só pode (né?).

Só pros teu/to córno (ou: pras tua venta) (mesmo)!: só você acha isso! Também usado quando alguém fez ou falou uma besteira: só pros teu córno mesmo fazê uma casa nessa lonjura ô!

Sumanta de pau1 - surra, sova.

Tá em tira – estar muito cansado/gripado (geralmente na cama).

Tá com fastio1 – estar sem apetite. Fastio encontra-se no Dicionário Houaiss.

Taiá – taioba (planta com folhas verde-escuras grandes comestíveis). Encontra-se também no Dicionário Houaiss.

Tale pai, tale filho – dizer antigo, significa que o comportamento do filho é semelhante ao do pai.

Tamém1 – uma forma já antiga de dizer "também". "Tamém!" equivale a "não me admira!" após ouvir algo que já era esperado. Ex.:-Tô com dô de barriga!-Tamém, depôs de comê tanto!

Tanso/a – lerdo/a; desastrado/a; idiota; ingênuo/a

…tanto, mas tanto, mas tanto (que). – enfatiza uma ação. Ex.: ele apanhô tanto, mas tanto, mas tanto que não conseguiu saí da cama.

Tão…, tão…, tão… (o "tão" é dito geralmente três vezes) – usado para enfatizar a qualidade de alguém ou de algo. Ex.: comi uma laranja tão doce, tão doce, tão doce.

Tão grande, tão tolo/a! - dito a uma pessoa de porte grande mas abobada ou a um adulto que fez algo tolo ou infantil.

Tá na ’stica – estar quase no fim, estar prestes a acabar (com relação a um produto ou alimento).

Tás tolo/a tás? – ficou louco? Pare com isso!

Tatuíra – o mesmo que "tatuí", crustáceo da família dos hipídeos vagamente semelhante a um tatu que gosta de viver sob a areia (bem rente a superfície) de praias de mar grosso. Costuma aparecer escavando (como um tatu) a areia no momento em que esta se mistura à água do mar na zona de arrebentação.

T’/te aligéra! – vamos!, apresse-se!

Te arranca!2 – saia daqui! Não me atrapalhe!

Tens más (é) que… - o que você tem (mesmo) a fazer é…

Tens tempo! – dito a uma pessoa que faz algo fútil quando poderia fazer algo de utilidade.

Tenho visto coisa! – expressão de indignação ao ver ou ouvir algo absurdo/estúpido.

Tirá as craca – tirar a fundo a sujeira/o encardido do corpo. Craca é um crustáceo da classe dos cirrípedes (pequeno, em forma de tronco de cone, lembrando um vulcão com um "olho" no cume) que se fixa às pedras e à madeira que ficam expostos a água do mar.

Toró2 – temporal, chuvarada.

Tô roxo/a (ó)! – não sou louco/a para fazer isso!

Toda vida – sempre, sem dúvida. Ex.:- Carne de pêxe é más sardave/saudave do que a de porco né mãe?- Toda vida rapariga!

Travá (o serrote)2 – entortar levemente os dentes do serrote de modo que um dente fique enclinado para um lado enquanto o seguinte deve ficar voltado para o lado oposto.

Trêje – três. "Trêje" só é usado pelos mais velhos.

Tresontonte – trás-anteontem.

(sô/seu) triste! – equivale a um "seu desgraçado!" só que é mais ameno.

Tudo2 – todos. Ex.: não foro pra i(s)greja não! Tavo tudo era beben(d)o no bar.

Tulhado/a (ou tulhadinho/a) de – cheio de, lotado de.

Ubre2 – úbere. Ubre é uma variante de úbere segundo o Dicionário Houaiss.

Vai aprendê pa ladino (vai)! – fique esperto! Deixe de ser bobo! Pa ladino = para ficar ladino ("ladino" quer dizer esperto).

Vai me dizê (que)? – não me diga. Pode ser usado no começo ou no final da frase. Ex.:- Tamo sem luge lá em casa guria.- Não pagaro a luge vai me dizê? ou – Vai me dizê que não pagaro a luge?

Vai procurá/precurá um serviço vai! – faça algo útil!

Vai toda a vida – siga em frente por este caminho (quando se mostra a alguém como chegar a algum lugar).

Vai vê – talvez. Usado (normalmente com ironia) no final da frase: João ainda não veio. Tá dormin(d)o ainda vai vê.

Vaja2 – vagem.

Varge2 – vargem, várzea.

Vê se tu qué/qués/queres (ó)! – é dito pela mãe a uma criança quando esta falou ou fez algo grave (geralmente mostra-se a palma da mão). É um forte sinal de que a mãe está disposta a bater.

Vê só! – olha só! Usado como reforço a uma declaração. Ex.: Vê só que guri preguiçoso!

Vê só! Vê só! – veja isso! Venha aqui e dê uma olhada nisso!

Vento sul – tanto pode ser usado para qualificar uma pessoa esperta que faz tudo rapidamente como para qualificar uma pessoa agitada e estabanada (que vai derrubando tudo pelo caminho). O vento que vem do sul é muito comum em Florianópolis e faz parte do folclore. É ele quem traz o ar frio no inverno e geralmente os temporais de fim de tarde no verão.

Verduranga – verdo(l)engo/a, diz-se do fruto que começa a mostrar sinais de amadurecimento.

Vergamote/vergamota2 – bergamota, tangerina."Vergamota" também é usado no Rio Grande do Sul.

Véspra – véspera.

Véve - vive (3ª pes. sin.).

Viage – distração, devaneio, conversa sobre algo complexo ou a respeito de coisas que não se entende.

Viajá – distrair-se (deixar de prestar atenção em quem está falando), discutir sobre futilidades, sonhar acordado, falar sobre coisas complexas, "filosofar".

Viajão/viajona – distraído/a, sonhador/a.

Vim (sic) – vir (infinitivo!). Ex.: ele tem que vim amanhã. Também é a 1ª pes. sing. do verbo vir no pretérito perfeito.

Visse? – não falei? Eu não estava certo? Pode também equivaler a "percebeu?", "viu"? após algo que acabou de acontecer.

Xêpa – o que sobra (ou o que não foi fumado) do cigarro, guimba. Regionalismo catarinense segundo o Dicionário Houaiss.

X’ô vê! – deixe-me ver!.

Xujo – sujo. O "s" torna-se palato-alveolar por influência do "j".

Zinabre – azinhavre, camada verde que se forma sobre o cobre ou o latão. "Zinabre" é encontrado no Dicionário Houaiss.

Zipra – erisipela.

Designação dos cavalos e do gado conforme a coloração/padronagem dos pelos2

Brasino – gado com pelo vermelho com manchas pretas.

Bragado – gado com pelo escuro com manchas claras.

Barroso – gado com pelo avermelhado-claro.

Hosco – gado com pelo escuro e lombo queimado ou pelo cinza escuro.

Jaguaré – gado que possui uma lista no lombo e outra na barriga de uma cor diferente da predominante.

Rosilho – cavalo vermelho com manchas brancas.

Ruano – cavalo branco com manchas escuras.

Salino – cavalo com pelo cinza claro salpicado com pelos brancos.

Sanho – cavalo com pelo castanho claro.

Tordilho – cavalo com pelo branco com pontos pretos.

Tubiano – cavalo com pelo branco com manchas pretas ou vermelhas.

A maior parte dos termos e expressões desta lista foi coletados em conversas de nativos.

Já foram editados até o momento 3 dicionários com expressões manezinhas.

Referências

Referências gerais

  • (1) Corrêa, Isaque de Borba. Dicionário Catarinense – Tratado de Dialetologia, Falares, Subfalares Expressões Idiomáticas no Estado Barriga-verde. Florianópolis: Insular, 2000. 200p.
  • Coutinho, Ismael de Lima. Gramática Histórica, 7ª edição (reimpressão de 1986). Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1976. 357p.
  • Crystal, David. Dicionário de Lingüística e Fonética. Rio de janeiro: Jorge Zahar Editor, 1988. 275p.
  • Houaiss, Antônio e Villar, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2ª reimpressão – 2007) . Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2001. 2922p.
  • (2) Rodrigues Filho, Ilson Wilmar. Dicionário de Regionalismos da Ilha de Santa Catarina (e arredores), Florianópolis: Lunardelli, Fundação Franklin Cascaes,1996. 144p.

Ver também

Ligações externas

 

todas as traduções do dialeto florianopolitano


Conteùdo de sensagent

  • definição
  • sinónimos
  • antónimos
  • enciclopédia

   Publicidade ▼

Últimas investigações no dicionário :

3992 visitantes em linha

calculado em 0,047s

   Publicidade ▼

   Publicidade ▼